Não deixei de almejar e planejar futuras conquistas, pelo contrário, elas são muitas, a diferença é que agora consigo encaixa-las num intervalo de tempo ideal para serem realizadas, e assim, mesmo que este momento chegue sem que elas tenham acontecido, eu sei que são possíveis e por isso continuarei lutando.
O que importa mesmo, é que são poucas as coisas que eu realmente lamento, algumas foram por vacilos meus, outras foram inevitáveis. Gostaria de ter sido mais grata à pequenos detalhes na minha vida, que hoje não podem mais existir, gostaria muito de ter tido conhecimento deste curso no meu primeiro ano de vestibular, estaria me formando agora, mas mesmo assim, ganhei um monte de outras coisas, um diploma, um monte de conhecimento e experiências e conheci pessoas incríveis com quem poderei contar pra muitas coisas pro resto da vida.
Mas a dor mais profunda que eu sinto no meu eu não realizado, é a de não ter tido a chance de ajudar o meu avô a curar o câncer que o separou de mim. Não que eu não tenha pensado nas inúmeras coisas que eu poderia fazer, mas faltou conhecimento, faltou informação, faltou tempo, valioso tempo, que infelizmente não permitiu nossa vitória, mas acima de tudo, faltou-nos atenção para as largas demonstrações de que alguma coisa estava errada com ele.
Se me permitissem hoje escolher mudar as coisas na minha vida, acredito que mudaria isso, trazendo meu avô de volta, porque ele é uma importante parte de mim, sem a qual jamais estarei completa.
Não desejo riquezas exorbitantes, nem um sucesso estrondoso, temo por tudo que vem acompanhado disso. Enquanto profissional espero apenas ser reconhecida pelo meu trabalho, receber aquilo que me for justo e suficiente para levar uma vida tranquila, sem excessos de preocupação e feliz, muito feliz.
Poderia inventar um milhão de coisas para escrever aqui, mas sou grata por tudo que tenho, e a vida já me ensinou que querer sempre além nos impede de aproveitarmos o que temos.
Texto: meu eu não realizado*

